2020 Monteiro deQueirozDo julgamento em tribunal de duas versões opostas de um qualquer facto resultam no mínimo quatro verdades diferentes: as duas correspondentes a cada uma das partes em conflito, a que resulta da sentença doutamente proferida, e ainda aquela que se torna inatingível, aquela à qual nunca se chegará... a que fica 'ad aeternum' no segredo dos deuses.
Senhora da Serra
Senhora da Serra
Publicado por Monteiro DeQueiroz · 13 de julho ·
TEXTO NÃO DIFINITIVO (nota do autor) - Versão 2
Romaria da Senhora da Serra no alto da Serra do Marão
«O "a ver Nascer o Sol" ocorrido no alto do Marão e observado na madrugada do dia da Senhora da Serra, considerada a mais alta Romaria de Portugal, nada mais nada menos do que materializada a 1416m de altitude, e que neste ano de 2020 se cumpriu a 12 de julho, alicerça-se numa antiquíssima tradição anual e sempre esperada pelos peregrinos das redondezas serranas saídos de entre o povo maronês nativo dos povoados vizinhos de entre os Municípios de Baião, Santa Marta de Penaguião, Peso da Régua, Mesão Frio, Amarante e Vila Real, que, subindo as encostas da Serra por caminhos antigos até ao alto do Marão, que na Idade Média se chamou Monte Pena Guião, peregrinam até à Senhora Mãe e lhe levam um ramo de cravos para que os proteja e lhes trate das verrugas do corpo popularmente apelidadas de "cravos".
Actualmente, e porque se vai perdendo o significado original, e porque as gentes gostam de inovar, os crentes já não se cingem só aos cravos-flores, mas também a outras espécies florais mais a gosto de cada um.
As gentes peregrinas costumam iniciar viagem a pé durante o dia de sábado, passando e acampando no alto da serra durante a noite aquecendo-se com o calor de fogueiras ateadas para o efeito. Assistem ao nascer do sol depois de entregarem o ramo de cravos à Senhora Mãe da Serra e de todos os povos que a circundam.
Alguns regressam às suas aldeias de origem após o evento. Outros ainda ficam para assistir à Santa Missa dada pelo pároco responsável pela Paróquia da Teixeira, Baião.
É bem provável que esta peregrinação seja a continuação no tempo dos antiquíssimos festejos relacionados com o Solstício de Verão, que ocorre anualmente por volta de 20/21 de junho, possivelmente "empurrados" pela Igreja para data mais tardia por força dos santos populares - São João, de 23 para 24 de junho, e São Pedro a 29 de junho, ficando agendada para o segundo domingo após o São Pedro.
A tradição de ir "ver nascer o sol" estará relacionada com uma prática pré-cristã de, no Solstício de Verão, o povo ir ao topo da colina mais alta - neste caso o alto do Marão, festejar o nascimento do sol e fazer a oferta do devido tributo à "deusa mãe Terra" - neste caso cristianizada como a Senhora (Mãe) da Serra, a quem se vai levar um ramo de cravos que será uma reminiscência actual do ancestral tributo.
Muitos círculos de pedras e megalíticos pré-célticos estão alinhados com o nascer do sol no dia do Solstício de Verão. Será o caso da Senhora da Serra?»
Monteiro deQueiroz
Fotos de Norberto Teixeira / Grupo Facebook "Defesa do Património Paisagístico e Aquífero Douro/Marão" [https://www.facebook.com/groups/602572770522244/]
Contributos de Norberto Teixeira de Paradela do Monte - Marão, Natália deQueiroz do Peso da Régua, Anabela Morais de Mesão Frio, e de Francisco Teixeira e Monteiro deQueiroz de Santa Marta de Penaguião.
in https://www.facebook.com/SradaSerradoMarao/posts/149669840050007